domingo, 3 de outubro de 2010

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Peguei meu celular, e reli a mensagem de texto pela milésima vez.
“Preciso falar com você é urgente. Me espere no ponto de ônibus amanhã.”
Ele queria me encontrar. No ponto de ônibus. No nosso ponto de ônibus.
Fiquei imaginando o que poderia ser, já não tínhamos mais nenhum assunto em aberto. Nenhum.
Pensei comigo, tenho mesmo que pegar o ônibus amanha. Eu pego ônibus todo dia. Então eu iria. Mas não iria esperar nada, se ele quiser mesmo falar comigo, ele que chegue antes de mim e me espere.
E ele chegou. Estava lá escorado na proteção amarela do ponto. A voz dele estava tremula quando me disse oi. Ele estava nervoso, então devia ser algo sério.

- Oi.
- Oi.
- Tudo bem?
- Olha, eu estou ótima. Isso aqui tem algum fundamento ou é só pra me fazer perder tempo.
- Calma, nervosinha.
- Não to nervosa.
- Ta bom, vamos direto ao ponto então. Eu conversei com alguém ontem.
- Quem?
- Seu melhor amigo.
- E ?
- Ele me disse uma coisa. Você gosta de mim?
- Er, hm. Claro. Você é legal, nós somos amigos.
- Não menina, de outro jeito?
- E isso importa? Você já tem alguém agora!
- Não tenho não.
-Ah ta. – virei os olhos sem querer.
- Viu só por que nós não demos certo. Esse seu jeito de quem sabe de tudo.
- Eu acho que eu sei de tudo? E você que se acha tão bom que me ignora!
- Eu te ignoro?
- Aham. Só fala comigo quando te dá na telha.
- Mas porque você é doida, passa e nem olha pra mim. Nem vem atrás de mim. A...
- Ela sempre vai atrás de vc né? Por isso que vocês tem que ficar juntos.
- Não disse nada.
- Mas ia.
- Você não respondeu a minha pergunta.
- Nem você a minha. Interessa? Você ia deixar ela pra ficar comigo?
- Se a resposta for sim.
- Sim.

Ele me segurou tão rápido, e tão forte que eu quase nem percebi. Quando dei por mim, nossos lábios já estavam unidos por um beijo.

- O que você ta fazendo?
- Concertando as coisas. Isso deveria ter sido assim desde o começo.
- Mas agora não é mais o começo.
- O que você quer dizer?
- Nossa hora já passou. Agora você tem outra pessoa.
- Eu termino.
- E quebra o coração dela por mim?
- Sim.
- Não, eu não quero isso.
- Você não me quer?
- Quero, mas não assim. Agora não dá mais.
- Ela não sabia que você gostava de mim, quando veio me procurar?
- Sabia.
- Então.
- Essa é a diferença entre eu e ela. E você escolheu ela antes. Então desculpa.
Meu ônibus chegou nesse instante. Eu parti e não quis olhar pro lado de fora. Eu não quis ver o que eu havia perdido. Dessa vez, para sempre.

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